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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A Caminho do Sol – A peça que me emocionou!



A Caminho do Sol – A peça que me emocionou!
Dedicada para o grupo de teatro da Igreja Bola de Neve

Foi em uma sexta-feira quando um amigo, ou melhor, meu melhor amigo me convidou para assistir a estreia de sua peça de teatro e claro, eu não poderia deixar de ir prestigiá-lo, afinal de contas, ele não é só meu melhor amigo, é meu confidente, meu irmão. Um cara que há mais de 15 anos está ao meu lado nos momentos bons e ruins.

Claro que eu, estava logo na primeira fila...

O nome da peça era A Caminho do Sol, que contava a trajetória de Moises, escolhido por Deus para levar seu povo Egípcio para Israel, a Terra prometida.

Eu não tenho religião, e sinceramente, eu não conhecia a história de Moises, mas, confesso que eu me emocionei do começo ao fim do espetáculo, e olha que era uma comédia dramática, mas, como sou mais dramática, tudo me emociona.

Logo no primeiro ato, eu me transformei em um mar de lágrimas assistindo, ali, bem na minha frente, uma guerra entre anjos e demônios.

Cena forte que arrepiou a todos que lá estavam, ou, pelos menos a todos que estavam ao meu lado. Eu só ouvia um “chororo” do meu lado, inclusive, o meu...

Os atores fenomenais, a face de cada um, a serenidade dos anjos “bons” e ódio dos anjos “maus”, a realidade era impressionante!

Meu amigo fez o anjo mau. Confesso que logo pensei: Ele está no lugar errado, pois, se tivessem olhado direito pro seu coração, ele estaria do outo lado, mas, eu sou amiga, não conta. Nessa hora é como se eu fosse uma mãe coruja!

O primeiro ato ficará para sempre cravado em meu coração, pois, a guerra entre o bem e o mau ainda esta muito longe de acabar, porém, de todas as lutas que eu tive na vida, sempre o bem e o amor ganharam! E olha que foram muitas lutas!

Outro ato que me emocionou muito, foi a cena da morte do filho do Faraó.

O ator me emocionou desde quando entrou em cena. Ele conseguiu captar a personalidade forte e arrogante do personagem de uma forma exemplar, desde os gestos, o tom de voz... Simplesmente espetacular!

Em uma das cenas do Faraó, o mesmo blasfema a Deus e depois quando está com seu filho desfalecido em seus braços, pedi perdão a Deus.

É sempre assim, só acreditamos na força de Deus quando passamos por provas!

Entre tantas outras cenas que me emocionaram muito, vou falar de mais uma que para mim foi a mais emocionante de todas, talvez (ou quase certeza) por eu ser poeta e os poetas amam as estrelas...

Nesta cena, estavam Moises, uma pequenina múmia (que em minha opinião deveria ser contratada pela Rede Globo para a novela das 19:00hrs), e um velhinho que foi o fiel escudeiro de Moises por exatos 40 anos, deitados contemplando as estrelas.

Então, de repente, esse “velhinho”  (me perdoem os atores, não me lembro do nome do personagem, pois, sou muito esquecida), começou a contar a história de algumas estrelas.

Começou, se não me engano, pela Cruzeiro do Sul, depois contou a história das três Marias e então, chegou na estrela mais brilhante do céu, porém, a mais solitária também!

E continuou dizendo que, essa estrela, a mais brilhante de todas, sempre está afastada das outras, pois, seu brilho é tanto que as demais estrelas não conseguem ficar perto dela e que por esse motivo, ela é a estrela solitária do céu!

Nessa hora, confesso que fui remetida para minha infância, quando eu ficava todas as noites com minha tia contando as estrelas do céu e ela, por sua vez, me contava a mesma história das mesmas estrelas contadas na peça! Emocionante!

Bom, analisando a história da estrela mais brilhante do céu e por sua vez a mais solitária, não foi isso que eu senti com os atores que protagonizaram essa peça. E quando eu digo protagonizaram a peça é porque eu não vi nenhum ator ser coadjuvante.

Cada um dos atores brilhou de uma forma tão radiante que o espaço se iluminava a cada segundo e, ao contrário da estrela solitária do céu, o brilho de cada um deles foi na mesma proporção e juntos, fizeram daquela peça, uma das melhores que eu já assiste.

Que esses atores possam seguir seu Caminho ao Sol e que seus brilhos continuem sem nunca se apagar. Sendo vocês atores profissionais ou não, foram um verdadeiro espetáculo!

E então, quando a peça terminou, me levantei e olhei bem na minha frente e lá estava meu amigo e aplaudi a todos com muito carinho e ainda por cima, sai de lá abençoada com uma linda oração de paz, feita pela múmia.

Um grande beijo a todos!

Por Alexandra Collazo.

03/02/2015

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Feliz Aniversário!


 
Feliz Aniversário!
Fazer aniversário, ficar mais velha, ficar mais experiente, eu não sei como posso denominar o dia de nosso aniversário, mas, a única certeza de que tenho é que os anos estão voando!

Parece que foi ontem que eu completei 20 anos, e isso já faz 12 anos e eu ainda me lembro daqueles tempos com um sentimento de nostalgia, mas, não posso fazer mais nada, os anos não voltam, só andam para frente.

Antes de fazer 30 anos, eu sempre ouvia as mulheres preocupadas com a tal “crise dos 30” e eu nunca achei que fosse chegar tão cedo para mim!

Já faz dois anos que eu completei 30 anos e eu ainda estou na crise dos 30, e só vou sair dela quando eu chegar na crise dos 40, que provavelmente, só irá passar quando eu chegar na crise dos 50, e por aí vai.

Nossa vida muda em apenas uns segundos, uns dias, uns momentos, quem dirá em uma década!

O dia do nosso aniversário, claro, não é uma data qualquer no calendário, isso quando você é criança e tem a vida toda pela frente, quando você é adolescente que já está com a balada marcada com seus amigos, que não tem preocupações, que não tem pressa de se formar, ter o melhor emprego, ser mãe, se casar, de comprar sua casa, seu carro, ter sua vida.

Quando você começa a ter essas responsabilidades impostas pela brutal e ignorante sociedade, o dia do seu aniversário é o último dia do calendário que você gostaria que chegasse, principalmente, se você ainda não alcançou todos os objetivos que você obrigatoriamente já deveria ter atingido aos olhos dessa medíocre sociedade, e isso, deve acontecer antes dos 30 anos, pois, nessa idade, sua vida já deve estar feita, como eu ouvi uma certa vez!

Você fica mais velha e todos percebem, pois, você não tem mais o rostinho que tinha aos 20 anos, o corpinho que tinha aos 18 aninhos tampouco tem o ânimo que tinha para fazer certas coisas. Com o passar do tempo, nosso copo e mente vão mudando e dando lugar as dores nas juntas e nas costas, te impossibilitando de fazer qualquer coisa que você fazia há 10, 15, 20 anos atrás.

Ontem eu conseguia e hoje, não consigo mais! É a idade chegando, não tem jeito!

Essa é vida! Vamos envelhecer, não tem por onde escapar!

O jeito é viver e viver todos os momentos e aproveitar cada fase, cada pedacinho de vida que temos, pois, depois, com o passar dos anos, nosso corpo muda, nossa mente muda, amadurecemos e chegamos ao ponto de pensarmos: Como fui capaz de passar noites em claro na fila só pra ver minha banda de rock preferida? Como pude ficar noites em claro em uma balada ouvindo “putz putz” mesmo detestando? Como pude varar noites sentada no meio fio da calçada tomando vinho barato e falando de rock? Como pude fazer as malas e ir acampar na mata aberta sem nenhuma proteção?... Como pude fazer isso, como pude fazer aquilo...

Que bom que eu fiz, porque hoje já não aguento e não faria, porque já passei dos 30 e meu corpo não aguenta mais!

Que bom que passei dos 30, pois, com essa idade vem a maturidade, vem o crescimento, a sabedoria e isso é ótimo, nos faz crescer e nos ajuda a tomar as decisões certas, erradas, nos ajuda a pensar melhor, a não agir na impulsividade, a querer um relacionamento sério, a pensar em coisas que você não pensava quando era adolescente, pois, provavelmente, alguém estava pensando por você. Provavelmente, seus pais.

Fazer aniversário mesmo sabendo que você já é adulta, crescida e mesmo sabendo que você ainda não conquistou tudo o que queria, ou, o que a sociedade impõe, é uma dádiva de Deus, pois, se você completou mais um ano de vida é porque Ele está te dando a chance de conquistar TUDO que você quiser!

Aproveite! Vale a pena viver mesmo com 30, 40, 50, 60 e quanto mais anos de vida Deus te der!

Feliz Aniversário!

 Alexandra Collazo

05/01/2015

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Suficiente


 
Suficiente
Quando se ama, não devemos amar muito e não devemos amar pouco, temos que amar o suficiente.

O suficiente para se estar juntos em uma tarde no café, o suficiente para aceitarmos o outro do jeito que ele é, o suficiente para nos sentirmos felizes em um simples passeio em uma livraria, ou, em um lanche no boteco da esquina.

O suficiente para perdermos o medo de montanha russa só pra ver o sorriso do outro se abrir e ouvi-lo agradecer por terem dividido aquela emoção juntos.

Quando se ama, um passeio na beira da praia só pra molhar os pés e conversar sobre fotografia e ver as paisagens já é o suficiente.

Basta um simples passeio de bike no calçadão pra perceber o quanto é bom dividir momentos simples com aquela pessoa que conquistou seu coração.

É suficiente degustar uma garrafa de um bom vinho mesmo que seja em um copo de vidro americano, pois, o melhor do vinho está na uva e não, na taça. É a qualidade da uva que torna um vinho bom e não, a garrafa!

Não se pode amar muito nem pouco, o amor deve ser suficiente e na medida certa de carinho, de sentimento, de companheirismo, de paixão, compreensão e sem exageros.

O amor é como o vinho, a qualidade está na essência da uva, na quantidade certa de álcool e não, na beleza da garrafa.

Você deve amar alguém pela essência que ele trás na alma e não, pelo seu corpo físico.

Ame o suficiente, que quando for verdadeiro será tão imenso que não caberá em seu coração.


Por Alexandra Collazo

14/12/2014

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Retiro!


 
Retiro
O tempo do meu retiro acabou!

Já refleti, já pensei, já decidi o que deveria ter sido decido, e o que não consegui decidir, é porque não era o momento.

Alguns perdoei, outros, nem tanto. Fui perdoada e nem tanto... Assim é avida...

Determinados erros ficarão no passado, algumas cicatrizes não irão cicatrizar, outras, porém, nem me lembro, não deixaram nem sequer, marcas!

Descobri que, minha essência sempre será a mesma. O que muda então? Mudam algumas atitudes que chegaram com a maturidade dos 30.

Agora chegou o tempo de me dar novas oportunidades, deixar o destino agir sem ter medo do novo, do que poderá vir.

Chegou a hora de organizar aquela viagem tão esperada e sonhada, mesmo sabendo que não será fácil andar por aquelas ruas...

É tempo de conhecer novas pessoas, novos rostos, novos lugares e novos ares. Tempo de relaxar, sair para ver o sol e sentir a chuva molhar.

Chegou a hora de conhecer coisas novas, para quem só bebe vinho, talvez uma cerveja caia bem, para quem só ouve jazz, quem sabe muito de vez em quando, um bom samba de raiz me faça sorrir...

O que ficou para trás ficou, o que se viveu, se viveu e nada no tempo se perdeu. Nada voltará, isso não se pode mudar!

Aqueles que eram tão amados e que partiram, deixaram um legado que tenho que seguir. A saudade sempre existirá...

Depois de tanto pensar nesse tempo todo que preferi do mundo me afastar, percebi que a solidão é essencial, mas, aprendi também, que como tudo na vida, a solidão tem dois lados.

É tempo de deixar as pessoas me verem, saber que eu existo. Sair do meu mundo e começar a planejar tudo que um dia foi planejado e interrompido pelo destino.

O amor!

Há o amor! Parte tão difícil desse meu tempo comigo mesma!!!!

Mas, chegou o momento de tentar abrir meu coração para deixar o amor chegar, sem traumas, sem receio e sem medo.

Um amor apenas para dividir sentimentos, porque eu também mereço!

Novos poemas virão, novas lágrimas, novas conquistas, novas decepções e novas alegrias estão por vir.

Tudo será bem vindo, principalmente os novos desafios e decepções, pois a cada vitória, um novo aprendizado e um novo recomeço.

Até o dia de um outro tempo de retiro.

Por Alexandra Collazo

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ano novo cor de rosa!



Ano novo cor de rosa!
Na passagem do ano de 2014 eu resolvi usar um vestido cor de rosa, pois, a minha meta era o amor, afinal de contas, dentro de 05 dias depois da virada eu iria completar 31 anos e estava sozinha já há algum tempo.

Não que a virada de 2014 tenha sido ótima. Fui pra praia com pessoas que eu nunca tinha visto na vida, creio que este episódio tenha sido o único desde que eu me conheço por gente, pois, eu só consigo me sentir confortável na presença de amigos íntimos. Também não foi de todo ruim, apenas desconfortável por estar fora do meu habitat normal.

Entrei 2014 na certeza de que seria o ano que eu iria encontrar um amor, aquela pessoa que faria meu mundo parar, que daria outro sentido para minha vida. Que fizesse meu coração acelerar e me trouxesse toda aquela magia da paixão e do amor que há anos eu não sentia.

Essa era a minha meta! Eu tinha fé de que o meu vestidinho rosa iria me trazer sorte!

Naquela época, eu já estava farta de relacionamentos incertos, passageiros e que não davam em nada! O que eu queria mesmo era alguém para dar certo, para durar, para fazer planos, para dividir a vida!

Os meses foram passando e todas as pessoas que entravam na minha vida eu fui descartando, um por um, porque eu queria o melhor, eu queria o certo!

De repente eu estava com 31 anos nas costas e nem um amor eu tinha, mas, fui cautelosa e resolvi deixar o tempo agir, sempre ansiosa claro, e a cada mês que se acabava e outro se iniciava eu pensava: Ai meu Deus, nada de um amor!!!  Vou morrer sozinha, vou ficar para titia... Sim, sou exagerada mesmo!

Eis que o mês de Novembro chegou!

Novembro sempre foi um mês de sorte pra mim, é o meu mês preferido do ano porque sempre me trás coisas boas e, realmente me trouxe.

Meu vestidinho rosa deu certo! Eu sabia que iria dar! Tudo bem que tive que esperar 11 longos meses.

Eu sempre fui uma pessoa supersticiosa. Não passo por baixo de escada, quando encontro um gato preto (adoro gatos, que fique bem claro aqui), faço o sinal da cruz, não dou perfume de presente para namorado e também, não recebo, todo ano eu como lentilha no ano novo, roupa e calcinha novas, enfim, entre tantas outras superstições que eu tenho.

Então, chegou o fim de 2014 e agora, eu já estou me preparando para entrar em 2015 com o pé direito.

Já escolhi a cor do meu vestido, pois, eu tenho outra meta pra 2015, já que eu já tenho o meu amor!

E você, conseguiu o que queria em 2014? A cor que você usou na passagem do ano te trouxe sorte? Você realizou os seus sonhos?

Espero que sim!

Mas, se a cor da sua roupa não te trouxe o que queria, se não conseguiu realizar alguns sonhos, desejos e vontades, seja perseverante em 2015, em 2016, 2017 e assim até que você consiga o que quer, o que deseja.

Se você não for uma pessoa supersticiosa assim como eu, apenas acredite que 2015 será o melhor ano da sua vida, porque será!

Agora, se você quer arrumar um amor, um conselho: Use um vestidinho cor de rosa!

FELIZ ANO NOVO SUPER ROSA,VERDE, AMARELO, AZUL, SUPER COLORIDO PARA TODOS!

Um beijo!

Alexandra Collazo.

02/12/2014

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Estar aqui! (Fui ao Rio de Janeiro espantar a solidão)




 
Estar aqui! (Fui ao Rio de Janeiro espantar a solidão)
Estar de volta neste lugar depois de tanto tempo, depois de tudo que aconteceu é voltar no tempo das lembranças e ver que o destino sabe o que faz!
Eu tinha quase certeza de que não voltaria aqui tão cedo, apesar de ser tão tarde...quase um ano!
Hoje, estar aqui sentada neste banco me trás novas sensações, novas emoções, uma paz diferente, uma tranquilidade na alma junto com a ansiedade do novo que me espera e não daquilo de sempre.
Hoje, nesta madrugada, as estrelas que verei da minha janela serão as mesmas de antes, mas, estarão em órbitas diferentes, terão o mesmo brilho, mas, estarão mais perto.
A parte da viagem que eu mais gosto é essa, de poder contemplar as estrelas.
As estrelas são tantas que por muitas vezes não se consegue ver a escuridão do céu.
Me lembro da primeira vez que fui ao Rio de Janeiro. Fiquei hospedada em Botafogo, e foi aí que me apaixonei pelo Rio, não sei explicar sua beleza delicada.
A baía de Botafogo é linda, é o meu refúgio, sempre! Me trás a paz que eu tanto busco e preciso.
Os barquinhos (como eu costumava dizer) ancorados na baía dão o charme ao local e me encantam a cada vez que eu volto, só que dessa vez, os barcos da baía serão os mesmos, mas, hoje estarão em outra direção.
O Jardim Botânico! Não tenho palavras para descrever sua beleza imperial. Suas orquídeas tão lindas e tão charmosas, também serão as mesmas, porém, mais coloridas.
O mar de Copacabana e Ipanema continuará lindo, mas, hoje acolherá apenas um!
Sem falar dos museus do Centro da Cidade! Como me agradam, sendo eu uma pessoa apaixonada por história.
O que dizer do pôr do sol do arpoador? Esse nunca mudará, irá trazer (para mim) a mesma beleza da solidão de sempre.
Hoje, volto ao Rio de Janeiro para espantar a solidão e renovar minha energia sentada na baía de Botafogo, me inspirando para compor meus versos e compor minha vida!
Por Alexandra Collazo.
Abril/2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Nem tudo que parece, é!


 
Nem tudo que parece, é!

Martha Medeiros sempre foi uma escritora que me emocionou muito com suas crônicas.
Ela acabou de lançar um combo com três livros: Liberdade crônica, Paixão crônica e, Felicidade crônica, que é o que eu estou lendo no momento.
Em um certo momento do livro, um título me chamou muito a atenção: Um poema filmado,  mas, por incrível que possa parecer, foi a crônica seguinte que me tocou muito: O isopor e a neve.
Nesta crônica, Martha relata um fato que ela presenciou em uma tarde de Novembro nas ruas de Porto Alegre, em um dia útil.
Martha descreve que estava parada no farol aguardando para atravessar a rua quando, um caminhão deixou cair em plena rua, um saco de isopor e, que conforme os carros passavam por cima daquele saco o isopor ia se desfazendo em películas e se movimentando para cima e para os lados bem devagar.
Relata ainda, que para ela, aqueles pequenos grãos brancos em movimento em plena rua, não eram isopor subindo e se desfazendo e sim, neve caindo, como se ela estivesse em pleno inverno da Europa, e menciona ainda, que naquele instante, pensou até em estar ouvindo música clássica.
Lembro-me claramente, como se fosse hoje, de um fato que ocorreu comigo que foi muito parecido.
Eu estava em uma cafeteria, em um sábado ensolarado aguardando dar o horário da minha aula e italiano, quando, de repente, eu vi nitidamente que na espuma do meu café com leite, havia se formado um coração. Imediatamente, eu fiz questão de registrar aquele momento único e logo depois, em menos de alguns minutos eu já havia feito um poema, pois, naquela tarde, aquele coração me inspirou.
Eu não sou uma pessoa virtual, não sou muito boa com redes sociais, e a única que eu ainda utilizo é o Facebook para divulgar o meu trabalho como escritora ainda amadora.
Quem me conhece sabe que não sou de postar fotos, sejam elas particulares ou qualquer outro tipo de foto, principalmente, as de comidas e etc. Mas, neste caso, como toda regra tem sua exceção, eu tirei uma foto daquele “coração” que havia se formado na minha xícara e postei com a seguinte legenda: Um coração se formou no meu café, que lindo!
Um dos comentários me chamou muito a atenção, dizia: “Que bom que tens olhos de poeta para enxergar o coração em todas as coisas”.
Ao ler a crônica de Martha Madeiros, me lembrei desse momento poético que tive naquela tarde ensolarada de sábado na cafeteria.
Será que a neve (que era isopor) que Martha Medeiros em um dia de verão de Porto Alegre viu, foi só ela que enxergou com seus olhos e alma de escritora?
Será que se eu tivesse mostrado para alguém o coração que havia se formado no  meu café, alguém também iria ver, ou, me chamariam de louca?
Fato é, que em nossa vida cotidiana, sempre iremos nos deparar com neves de isopor, que não são neves, com corações em xícaras de café que não são corações, com ovelhinhas que se formam nas nuvens que não são ovelhinhas, com o canto dos passarinhos que parecem uma sinfonia instrumental em meio ao caos. Mas, será que iremos reparar nesses pequenos detalhes?
Tudo depende do momento em que estamos vivendo, do que nos permitimos querer ver e ouvir.
Não precisa ter alma de escritor ou de poeta para enxergar a beleza que se forma nas coisas simples da vida, do cotidiano, basta abrirmos os olhos e os ouvidos, escutar e enxergar com a alma o que a vida tem de melhor e o que ela nos dá de presente: o momento e a beleza da vida!
Por Alexandra Collazo
23/11/2014