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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Os amores que se desfazem com o tempo


Os amores que se desfazem com o tempo

Quantos são os nossos amores, quantos amores passam por nossa vida e nos ensinam a ver a vida de uma forma melhor, ou, não tão melhor assim.

Os amores que passam por nossa vida sempre deixam marcas, sejam boas ou ruins. Deixam lembranças dos bons momentos, dos passeios, dos sorrisos, das brigas, das lágrimas e dos momentos de calmaria.

Sempre que estamos com alguém em um relacionamento, quando realmente estamos amando, o nosso desejo é que aquela história nunca se acabe, pois, realmente o amor deveria ser eterno.

O problema é que nem sempre é assim, nem sempre nossos amores vivem para sempre e a culpa não é de ninguém. Não há culpados quando um amor acaba.

As pessoas são diferentes, possuem personalidades diferentes, olham o mundo de forma diferente da nossa. Cada um tem uma maneira de ver as coisas e os problemas e nem sempre esse “jeito de ver o mundo” do outro é condizente com o nosso jeito de viver e de olhar o mundo. Isso faz com que com o tempo comece a se criar uma incompatibilidade de gênios.

Temos que amar a pessoa que está ao nosso lado do jeito que ela realmente é, mas, o problema é que existem defeitos que não conseguimos conviver e, quando isso acontece, é a hora de dizer adeus.
Não tem culpado, apenas, alguns valores e princípios da pessoa que amamos e que não foi mostrado no início do relacionamento não condizem com os nossos princípios e o nosso jeito de viver.

Certa vez, uma pessoa muito próxima a mim me disse: “Ale, eu fui noivo de uma pessoa, mas, não consegui casar com ela porque ela fumava demais, como eu não fumo não conseguia ficar perto dela e, mesmo gostando muito dela, amando-a de verdade, terminei o relacionamento, pois, esse era um defeito que para mim, era insuportável”.

Quando os defeitos da pessoa que amamos se tornam insuportáveis, o próprio relacionamento não caminha para onde tem que caminhar, pois, em vez dos momentos ficarem agradáveis, vão se tornando um peso, um martírio na convivência do casal e é aí que os relacionamentos terminam. É nesse ponto que sofremos, que achamos que nunca vamos encontrar mais ninguém, ou, ninguém igual aquela pessoa. Em algumas vezes, até temos razão.

Temos que nos colocar do outro lado também! Muitas vezes, os nossos próprios princípios, defeitos e a nossa própria maneira de enxergar o mundo não condiz com o estilo de vida da outra pessoa. Nem sempre somos nós que terminamos um relacionamento. Temos que entender, pois, essa é a melhor parte da história.

Existem defeitos que realmente não conseguimos mudar, mesmo porque, nem podemos, são eles que fazem a nossa estrutura. Como já diz Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.”

Esses amores que passam por nossa vida, nos ensinam muitas coisas, tudo depende de cada relacionamento. Alguns podem ser inesquecíveis, pois, faz você lembrar de quanto foi dolorido a separação, porém, faz você lembrar o quanto valeu essa dor e o quanto essa dor te fez crescer. Te faz lembrar o quanto amou aquela pessoa.

Outros, fazem você ter remorso por uma vida toda por você mesmo ter partido um coração que não merecia...

De uma forma ou outra, sempre mudamos um pouco quando nos relacionamos com outras pessoas.

Não importa quantos amores você teve, o que importa é  o que esses amores significaram para você, o que te ensinaram de bom e de ruim.

O que não se pode é perder a esperança no amor, pois, um dia, cedo ou tarde, você vai encontrar uma pessoa, mas, nem por isso, pode ser que dure para sempre!

Nossos amores se perdem no tempo e com o tempo, mas, nunca dentro de nós!

Por Alexandra Collazo.


terça-feira, 14 de julho de 2015

O melhor de mim!



O melhor de mim!
!
O melhor de mim está na minha essência que foi crescendo na medida em que fui vivendo as experiências da vida e até hoje vem crescendo a cada dia.

Nunca soube quem eu era de verdade. Todos os dias descubro coisas novas sobre mim mesma.  Existiram situações que me fizeram mudar de opinião, de objetivo de vida, de conduta (muitas vezes na vida foi preciso mudar de conduta), de direção, de estado de espírito, de Estado... Enfim, todos os dias descubro algo novo em mim, aprendo algo novo sobre o meu íntimo e muitas vezes me surpreendi comigo mesma e ainda continuo me surpreendendo.

Na medida em que fui vivendo, aprendi a lidar melhor com as dores, com as perdas incomparáveis com qualquer outra dor que se pode suportar, com as separações, com as dores de amores e também, com os momentos felizes e inesquecíveis na presença de pessoas que amei muito e que amo até hoje.

Fui quebrando os rótulos que a sociedade impõe na vida das pessoas, fui desviando dos caminhos tortos, das curvas muito acentuadas que a vida nos reserva. Algumas vezes até consegui desviar, mas, outras suportei até o fim.

Cheguei a acreditar em príncipes encantados, mas, nunca em casamento! Cheguei a acreditar que só se ama uma vez na vida. Mentira! Amei muitos e fui muito bem amada!
Cheguei a acreditar também que para ser bonita deve-se ser magra. Outra mentira! A beleza vem do interior e não, da gordura localizada em que carrego no meu corpo! 

Acreditei em quem não deveria e desacreditei em que deveria ter acreditado, ouvido e escutado. Quebrei a cara quando ouvi a opinião dos outros. Quebrei a cara quando segui a minha opinião e intuição.

Aprendi a lidar melhor com as pessoas e compreendi que cada um tem um jeito de viver, de ver o mundo que não é igual ao meu. Entendi e desentendi muita coisa.

Agi por impulso inúmeras vezes na vida. Tomei decisão quando não era a hora certa e demorei para agir quando deveria.

Terminei namoros cedo demais e terminei namoros que não deveriam nem se quer ter começado. Amei demasiadamente quem eu deveria ter esquecido, e deixei de amar quem realmente deveria amar, e também amei quem deveria ter amado e fui muito feliz! E a vida seguiu, como sempre segue!

Encurtei caminhos para chegar mais rápido, alonguei outros para que demorasse pra chegar no ponto final! Fiz promessas e não as cumpri. Viajei, voltei, retornei e voltei de novo...

Fui princesa e fui bruxa quando necessário. Fui amiga e inimiga, fui careta e não fui!

Perdi um pouco da essência de quem eu fui aos 18 anos e agora que já passei dos 30, ganhei um pouco de nostalgia.

Aprendi que não podemos ficar tristes demais com as nossas perdas e também, nem muito felizes com as nossas conquistas e alegrias, pois, tudo nessa vida passa, nada é eterno e para sempre!

Aprendi, querendo ou não, que a vida é mesmo assim, de desencontros e encontros, de perdas e ganhos, de partidas, chegadas, lágrimas, sorrisos, dores e alívio!

E foi assim que eu fui descobrindo o melhor de mim! 

Vivi aqui, vivi ali, cheguei lá e cheguei por aqui com a minha bagagem nas costas, nas lembranças, na memória e no coração.

Descobri, estou descobrindo e sempre irei buscar a minha essência, quem eu sou realmente. A vida muda diariamente e eu, sou um ser humano em constante evolução.

Por Alexandra Collazo
14/07/2015


terça-feira, 7 de julho de 2015

Minhas recordações


Minhas recordações

Minhas recordações vão comigo, as levo pra todos os lugares que eu vou, que eu ando e que eu passo.

São tantas lembranças que não caberiam em um livro de 100, 200 ou mais páginas, mas, eu me lembro de todas elas, das mais bonitas as mais dolorosas. Mesmo que eu não queira carregar algumas delas, não adianta, elas estão gravadas aqui dentro do meu coração e da minha mente e seguem sempre comigo, como se fossem minhas melhores amigas.

Por mais que eu queira esquecer algumas delas, apenas pelas dores que me trazem, não consigo. O que posso fazer é apenas tentar não lembrar, mas, nem sempre isso é possível. As minhas melhores recordações são as lembranças da minha infância e da minha adolescência. Vivi grandes momentos na infância e na adolescência.

Lembro-me claramente da casa onde morava. Aquilo era casa, havia amor, carinho, muito aconchego, muito barulho por nada, muita gente, muitos tios, tias, primos, amigos de primos, amigos do meu irmão, meus amigos... Aquela casa era igual coração de avó: Sempre cabia mais um!

Eu fui criada pela minha avó e minha mãe, na casa da minha avó, nessa mesma casa onde o amor reinava e é de lá que vem minhas melhores e mais doces lembranças da infância e da adolescência. Naquela época, parecia tudo tão perfeito, eu tinha certeza que aqueles dias não acabariam. Doce ilusão de criança e adolescente!

A comida da minha avó, o café da manhã com ela, os almoços, a casa cheia, meus amigos, os amigos do meu irmão, as amigas da minha avó... Todos os dias aquela casa era cheia, a cozinha estava sempre rodeada de gente, a mesa sempre posta, nunca faltou nada, principalmente amor!

São as lembranças que eu mais gosto de reviver. Tenho orgulho de tudo que vivi naquela época com as pessoas que fizeram parte da minha vida naquele momento tão mágico e especial.

Mas, como sempre, tudo na vida tem dois lados! Não há como viver apenas de lembranças boas. As perdas começaram a aparecer. Perdi minha avó, depois meu pai e nesse meio tempo, muitas lembranças de acontecimentos ruins preenchem esse lado “negro” das minhas recordações que não vale à pena nem mencionar. Vou deixar aqui só as melhores.

É certo que os fatos desagradáveis que aconteceram me fizeram mais forte, me blindaram para vida, me ensinaram a seguir em frente, me fizeram ver que a vida sempre, sempre continua independente de qualquer pedra no caminho.

Ensinaram-me a perceber que tudo passa nessa vida, desde os melhores momentos até os piores dias de nossas vidas! Algumas perdas eu ainda não consegui entender e suportar, apesar de tantos anos, mas, como eu disse, SEGUIR EM FRENTE é sempre a melhor decisão!

E são essas recordações que eu trago comigo, boas ou ruins, são elas que fizeram e fazem parte da minha vida. São elas que me seguem, que me acompanham e que me ensinam e me ensinaram muito sobre a vida e eu não posso simplesmente descarta-las, pois, se fizesse isso, estaria descartando a minha essência de vida!

Vou carrega-las comigo sempre e de vez em quando, chorar de saudade dos momentos bons e chorar por tudo que eu já vivi.

Por Alexandra Collazo!

07/07/2015

terça-feira, 31 de março de 2015

Começar de novo!



Começar de novo!

Começar um novo amor é muito perigoso para um coração que já se acostumou com a solidão, trocar de emprego então, é extremamente estressante mesmo se você estiver financeiramente estabelecido. Decidir ir morar em outro estado ou país é algo assustador, ter um filho, comprar um imóvel ou um carro... Tudo é incerto!

As oportunidades acontecem de uma hora para outra, caem em nosso colo e aí, não tem jeito, não tem por onde escapar. Ou nos entregamos de vez, ou, deixamos escorrer por entre nossos dedos aquela oportunidade de viver uma grande experiência de vida. A escolha é sempre nossa e nunca do vizinho!

Não sabemos se o amor irá durar a vida toda, se depois um mês seremos demitidos, se o nosso carro não será roubado na esquina quando sairmos da concessionária, pois, nada nessa vida é certo, nunca sabemos o que iremos encontrar lá na frente.

A estrada é longa, pode ser também curta, com muitas curvas, ou, uma reta só! Não conseguimos prever o que vem pela frente quando estamos caminhando pela estrada, a cada curva é uma surpresa.

Temos as opções de ir seguindo, de pegar atalhos e até mesmo, de voltar pra trás. Tudo depende da nossa bagagem de vida, das nossas experiências e do nosso momento atual e espiritual que nos encontramos.

Cada um de nós trás consigo as suas dores, suas alegrias, suas decepções, seus amores, seus momentos e cabe a nós mesmos sabermos o momento certo para começarmos um novo amor, trocarmos de emprego, fazermos aquela viagem tão sonhada. Cabe a nós sabermos o momento certo de perdoar, de não perdoar, de esquecer ou não esquecer. O momento de querer seguir em frente, ou, parar pelo caminho.

Toda mudança é incerta, tudo que é novo assusta pelo simples fato de não podermos prever o futuro, isso é natural do ser humano.

Fato é, que na vida, sempre nos é dado uma segunda chance para vermos um novo horizonte lá na frente, uma luz no final do túnel.

Começar de novo não é ruim, deixar o sol entrar pela janela pela segunda vez é uma dádiva.  As oportunidades chegam como uma forma de amezinhar aquela ferida, aquela dor, aquele amor e aquele sonho que naquele momento não era para se realizar.

Tudo na vida tem seu tempo para acontecer, isso não quer dizer que temos que ficar parados esperando a felicidade bater na porta. Temos que levantar a cabeça e seguir em frente todos os dias, lutar, trabalhar dignamente, ir atrás do nosso sonho e nunca desistir de realiza-los, independente do que a sociedade diga ou fale.

Para começar de novo não basta ter coragem, é necessário querer, ter vontade para enfrentar os desafios que irão aparecer no caminho, enfrentar os medos, os traumas, desviar dos caminhos incertos. É necessário deixar o medo de lado!

Quando deixamos o medo de lado, a vontade de seguir em frente e alcançar nossos objetivos se torna prioridade em nossas vidas e é essa força de vontade que nos faz seguir, que nos dá a força necessária para enfrentarmos e retirarmos as pedras do caminho.

Vale à pena começar de novo, renovar o espirito, nos dar novas chances de ver o pôr do sol em outro lugar, de viver um novo amor, de trocar de emprego, de fazer aquela viagem, de VIVER!

Por Alexandra Collazo.
31/03/2015


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A arte em forma de saudade!



A arte em forma de saudade!

É feriado de carnaval e enquanto todos estão se divertindo cada um do seu jeito, eu também tenho a minha maneira de me divertir.

Aproveitei para ir ver uma exposição de fotografia que está sendo apresentada no Espaço Itaú Cultural aqui na capital de São Paulo.

Eu sempre fui uma pessoa apaixonada por fotografia, mas, não sou profissional, apenas gosto de apreciá-las.

A exposição me chamou a atenção pelo nome: A arte da Lembrança. Saudade na fotografia brasileira.

Eu não poderia deixar de ir contemplar essa exposição, justo eu que sou a pessoa mais saudosista do mundo. Todos os dias tenho saudade de alguma coisa do meu passado, do meu presente e do meu futuro, pois, o futuro impreterivelmente, um dia será passado!

Logo nas primeiras fotos, eu fui remetida para algumas lembranças que ainda vivem em mim com muita clareza de quando eu era uma criança na década de 1980, com algumas fotos que tinham alguns objetos que a maioria das casas naquela época tinham, como por exemplo, algumas almofadas de tricô. Pelo menos na casa da minha avó e de alguns tios tinha.

Depois, mais adiante, outras duas fotos me chamaram a atenção e me tiraram um sorriso de nostalgia pura.

A primeira foto, tinha um aparelho telefônico que estava sobre uma cama. Só que não era qualquer aparelho telefônico, era um daqueles que tínhamos que colocar o dedo e girar os números. Esse telefone não existe mais e eu, usei muito esse aparelho na adolescência, tenho até uma foto de quando eu era criança com ele.

A segunda foto, era uma lista telefônica que hoje... bom, hoje, nem preciso dizer o quanto obsoleto esse objeto ficou.

Eu usei muito a lista telefônica pra procurar telefones, pois, naquela época não existia internet para fazermos pesquisas.

Mais adiante, me deparei com outra foto que foi para mim, a mais marcante de todas.

Era a foto do avião Zeppelim nos anos de 1930, quando ele pousou no Brasil pela primeira vez em Recife.

Quando eu vi essa foto, imediatamente me lembrei da minha avó que sempre me contava a história do Zeppelim, principalmente, do dia em que ele pegou fogo, em 1937.

Minha avó nunca foi ao Nordeste, mas, esse avião serviu na primeira guerra mundial e na época foi muito conhecido.

Acho que ela era tão fã desse avião, que deu o seu nome, Zeppelim, para uma de suas deliciosas receitas, que tinha exatamente o formato do Zeppelim.

Eu acho que fiquei parada em frente a essas três fotos estagnada, ali, lembrando dela (que já não está mais aqui comigo) uns vinte minutos! Quanta saudade!

A primeira parte dessa linda exposição me remeteu a um passado que eu vivi, que eu presenciei e foi muito prazeroso estar ali e relembrar tantas coisas boas da minha vida.

A segunda parte da exposição, me remeteu a uma passado que eu não vivi, mas, queria muito ter vivido, apesar de tantos conflitos políticos da época e da dependência da mulher, o que certamente, nesse aspecto, eu teria sido uma revolucionária, pois, a minha liberdade e independência eu não troco por nada nem ninguém nesse mundo, mas, muitos dos valores daquela época eu ainda respeito.

As fotos relatam um Brasil nas décadas de 50, 60 e são muito nostálgicas, começando pelo próprio modo de fotografar, como aquelas máquinas lambe-lambe!

Algumas fotos do meu lindo Rio de Janeiro com aquelas mulheres lindas e elegantes em seus vestidos chiquérrimos e seus chapéus super charmosos.

Eu sempre gostei muito da moda retrô, acho super meu estilo! 

Nessa segunda parte da exposição, assim como na primeira, uma foto e uma carta escrita a mão, claro, me fizeram chorar em plena a exposição.

A exposição reserva uma parte apenas para fotos de noivas. Eu na verdade, deveria ter pulado essa parte da exposição, mas, não resisti, foi mais forte do que eu!

As fotos eram lindas, muito bonitas, mas, foi uma que estava em destaque que me chamou a atenção, pois, junto com a foto, havia uma carta de uma noiva para seu noivo. 

A cada linha, a cada parágrafo daquela carta, meu coração se despedaçava!

Era uma carta linda de amor de uma noiva que escrevera para seu noivo que não era de São Paulo, dizendo que já estava cuidando dos preparativos do casamento e que a saudade que ela sentia dele era tamanha que não cabia em seu peito. As cartas, naquela época, eram entregues de navio, por conta disso a saudade era maior.

É nítido o sentimento de saudade que aquela carta traz para quem a lê. 

Naquele instante, eu não pude evitar e meus sentimentos logo me levaram a lembrar de um poema de Alvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa): Todas as cartas de amor..

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

Eu também escrevi muitas cartas de amor e me deu muitas saudades dessas cartas de amor ridículas que eu escrevi!

Foi quando a exposição terminou e eu vim embora trazendo comigo muitas saudades!

Alexandra Collazo.

16/02/2015

 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Essa sou eu!


 
Essa sou eu!
Eu sou morena, não sou loira! Eu sou magra, não tenho um corpão, não chamo a atenção na rua e a minha beleza não é de parar o trânsito!
Meu cabelo não é liso, mas também, não é enrolado. É apenas o meu cabelo e ponto final.
Eu não uso relógio, não me interessa saber as horas. Não trago guarda-chuva comigo, e sim, odeio chuva!
Eu não tenho tempo de me maquiar pela manhã antes de sair pro trabalho, faço isso no escritório.
Não tenho as melhores roupas e não uso roupas de marca, e também não usarei mesmo se um dia eu tiver condições de comprar!
Eu falo muito, choro por qualquer coisa, grito e berro quando estou brava, sou reclamona, sou estressada, gosto das coisas certas.
Tenho defeitos e tenho qualidades.  Alguns defeitos se foram e algumas qualidades chegaram, assim, como algumas qualidades se foram e alguns defeitos também chegaram com o tempo!
Não tenho celular de última geração, não preciso! Odeio selfie!
Prefiro ler do que assistir um programa de TV!
Prefiro uma boa noite de sono do que uma balada, seja ela qual for!
Eu não sou brincalhona, sou séria! Não tenho um senso de humor avançado! Nenhum capricorniano tem!
Não gosto e não entendo de moda! Eu uso aquilo que gosto e que me cai bem, ou, aquilo que veste bem uma advogada!
Não tenho tênis, não vou ao parque! Não faço academia, como de tudo e adoro comer!
Adoro trabalhar, mas também, adoro namorar, tudo no seu tempo!
Adoro meus momentos de solidão, mas, também, os odeio quando preciso de um abraço!
Aquilo que não me interessa jogo fora ou mando embora!
Guardo rancor, mas também sei dar carinho!
Tenho preguiça e odeio quando discordam do que eu falo!
Aceito, às vezes, a opinião de alguém, mas, só às vezes! Faço o que acho certo pra mim!
Comigo não tem frescura, as cartas não são coloridas. Comigo é tudo preto no branco!
Sou extremamente decidida! Não perco tempo com nada que não me faça feliz! Já foi o tempo em que me permitia a tal situação.
Sim, tenho saudades do meu passado e choro lágrimas incontidas quando revejo fotos antigas que, graças a Deus, na minha época tinham que ser reveladas!
Sou saudosista mesmo!
Adoro a vida! Sofro quando algo da errado e vibro com as minhas conquistas!
Sou melancólica, eu escrevo poemas. Sou a mais pura forma de expressão humana que pode existir.
Se estou triste, estou triste, não finjo estar feliz! Se estou brava, logo vai saber!
Escrevo poemas para dar de presente, não sou assim tão convencional!
Sou ciumenta, o que é meu é meu e pronto!
Às vezes me faço de tonta, mas, só quando eu quero! Eu vejo e percebo tudo ao meu redor!
Gosto de um beijo de boa noite e um abraço apertado!
Gosto de bolos de chocolates e muito chocolate quando estou de TPM.
Tenho TPM e sempre vou ter, porque eu sou mulher não tem pra onde fugir!
Sou carinhosa, sou afetiva e sei dividir meu tempo com todos que convivem comigo.
Gosto de boa música, não me venha com músicas que não possuem uma letra decente!
Sou o tipo de pessoa que quando você conhece, ou você odeia, ou você ama! Não tem meio termo!
Essa sou seu!
 
Por Alexandra Collazo.
05/02/2015
 
 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Saudade de mim mesma!


 
Saudade de mim mesma!
Há tempos não sou mais uma menininha que acreditava em contos de fadas, ou, em qualquer coisa que me fizesse sonhar como gente grande.

Há tempos não sou mais uma adolescente que chorava lágrimas incontidas por amores platônicos e sem sentido, ou, que se revoltava contra tudo e todos e que se achava feia e as vezes, linda!

Há tempos que eu não sou mais aquela que se jogava de cabeça na vida, sem pensar nas consequências do próprio tempo, aquela que jogava tudo pro alto sem querer saber onde tudo iria dar!

Me lembro dos dias em que eu ainda tinha tempo para ver TV, tinha tempo para sair com meus amigos sem rumo. Me lembro do entardecer quando chegava do trabalho e já me preparava para ir ao colégio... Eu era tão novinha! Tempos bons!

Há tempos não sento na calçada para ter uma boa conversar com os amigos, dar risada, contar histórias, inventar um futuro para mim, para eles, pra nós!

Há tempos não fico horas e horas no telefone com um amigo, ou, uma amiga apenas jogando conversa fora, ou, até mesmo, conversando sobre assuntos importantes!

Sinto saudades da época em que eu era tímida, ou, nem tanto, da ingenuidade da adolescência onde eu achava que já sabia tudo sobre a vida! Pura INGENUIDADE!

Sinto saudades do pôr do sol da minha antiga casa, do barulho dos carros na avenida, da afinidade mais próxima que tinha com meu irmão, das brincadeiras na rua, da vida boa!

Sinto saudade da poesia, da música, daquela realidade que um dia pensei nunca acabar!

Sinto saudades de uma boa e verdadeira máquina de fotografar, na qual, eu tirava fotos e precisava esperar quase uma semana para vê-las, pegá-las nas mãos e poder sentir a mesma sensação de quando as tirei!

Sinto saudades da época em que eu fazia planos para o futuro, minhas viagens, minha casa, meu carro... Eu achava que tudo seria tão fácil!

Sinto saudades de quando eu pintava meu mundo de azul e cor de rosa num pequeno jardim no quintal na minha casa!

Sinto saudades de comer muitos doces, muitos brigadeiros, muitas tortas da minha avó.

Sinto saudades de me jogar no sofá e não fazer nada, ler um bom livro e ouvir uma bossa nova!

Sinto saudades do tempo em que eu podia ser eu, apenas!

Sinto saudades de acordar tarde, dormir cedo, tomar um belo café da manhã sem pressa, como eu fazia quando era criança!

Há tempos não acredito no impossível como eu acreditava quando eu era criança. Há tempos que eu não vejo o mundo colorido, da forma que eu via quando era mais jovem!

Há... essa saudade que me mata!

A vida muda, tudo passa! Dura realidade!

Um dia eu cresci e percebi que aquele mundo que criei dentro de mim desde criança, foi apenas uma pequena e imensa ilusão infantil e que nada, mas nada mesmo, foi do jeito e da cor que eu pintei!

Um dia, os meus sonhos não se realizaram! Um dia, percebi que as promessas são feitas para serem quebradas e não, cumpridas!

Um dia descobri que príncipe encantado não existe e que ele não iria vir me buscar em um cavalo branco e me salvar!

Um dia infelizmente, descobri que brigadeiros e docinhos engordam e que existe uma sociedade medíocre dizendo que você tem que ser magra para ser aceita dentro dela.

Mas, a pior de todas as minhas descobertas, foi saber que ninguém vive eternamente e, infelizmente, pessoas amadas se vão...

Há tempos eu queria voltar no tempo!

Por Alexandra Collazo

04/02/2015